Quase todos os tipos de arte têm correntes mais próximas do grande público, chamadas de “mainstream” e correntes menos famosas e populares, denominadas de “underground”; não poderia ser diferente na enologia, que talvez seja a mais científica das artes.
O mainstream na música abrange principalmente o pop e alguns gêneros pouco agressivos que utilizam linguagem popular (rap, sertanejo, pagode, pop rock). Vou citar as duas correntes mainstream que eu considero mais fortes na enologia.
Primeiramente os produtos doces, que são feitos simplesmente para serem bebidos (seriam o sertanejo universitário do vinho?); vão desde os doces sem escrúpulos, simplesmente doces e nada a mais pra apresentar até os doces mais elaborados, que são um bom produto, aromas agradáveis, sabores equilibrados e para facilitar a descida na garganta são doces (como aquelas músicas “top 10 do FM” que não saem da cabeça).
A segunda corrente mainstream do mundo do vinho são os tintos encorpados, cheios de cor, corpo intenso, aroma de frutas vermelhas e outras duzentas notas vindas do “estágio em madeira” (haja barril nesse mundo). São os vinhos da moda, principalmente para quem não toma suave. Tem uma legião de fãs incondicionais que fazem esse vinho estar em todos os pontos de venda. São vinhos que permitem ótimos comentários a seu respeito e além de apreciadores que realmente são seus fãs tem milhares de outros que o bebem porque é “vinho de quem entende”, assim como quem escuta Djavan mesmo sem entender o sentido da música, só pra dizer que é culto.
E o underground enológico? Existe?
Cada vez mais raro, apresenta-se em vinhos tintos de pouca cor; embora possam ter ótimo aroma e paladar inquestionável, não atraem ninguém com sua falta de presença visual.
Os brancos envelhecidos, alguém ainda lembra deles? Perdem campo para os jovens amarelos dourados frutados e translúcidos, mais baratos e atraentes.
Variedades exóticas, não brinca, o negócio é usar as mesmas de sempre, variedade boa é variedade que já vende bem, pra aparecer uma nova somente a custa de muito marketing (tipo assim, ir no Faustão deve ajudar).
No Brasil também temos uma corrente Underground tipicamente nossa: Os vinhos de americanas e híbridas elaborados com cuidado e tecnologia, buscando o melhor da expressão varietal dessas uvas, que atualmente são abominadas por quase todos. O normal é usar essas uvas pra fazer vinhos doces para abastecer a maior ala do mainstream enológico nacional, a do sertanejo universitário, digo, a dos vinhos doces; mas, um outro tipo de arte vem surgindo destas e talvez um dia ela não esteja no mainstream?
Te puxou nessa, guri! Análise profunda! abs! João
ResponderExcluirDepois de ler esse texto (underground)... chego a pensar que o popular “tchuco, ma non baúco” foi de alguém se referindo ao tangagá (ou tangará). Talvez tenha sido obra de Ulisses (não o grego... o Ulisses meu vizinho). Somente ele seria capaz de personificar alguém com tamanha coerencia... kkkkkkkkkk
ResponderExcluirAbraço e continua escrevendo. Gostei do texto!!!
Mariuzza
"viver e morrer no underground"
ResponderExcluirdá-lhe tangará