Que Urussanga é a sede de uma Associação chamada Progoethe todo mundo já sabe. Que a Progoethe reúne os produtores de vinho da região com o objetivo de promover e divulgar o vinho Goethe também não é novidade. Mas uma coisa que nem todos entenderam ainda é por que fazer isso tudo com a uva Goethe?
Contra a Goethe temos o fato de ela ser uma uva de baixa produtividade, muito sensível a chuvas na colheita, havendo freqüentes perdas de produtividade; além de ser uma uva difícil de vinificar; pois sendo mucilaginosa e de casca mole, é difícil extrair seu mosto, implicando em uma maceração pelicular que precisa ser controlada com muita atenção.
Partindo para o lado comercial, a Goethe apresenta mais algumas desvantagens. A primeira é ser desconhecida do grande público consumidor, não é um nome comum como Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, et cetera e tal. Além disso a Goethe é uma uva híbrida, oriunda de um cruzamento entre variedades de origem européia e americana. No mundo do vinho, existe uma classe enorme de “formadores de opinião” que sem conhecer um vinho são capazes de difamá-lo ao extremo somente por ter em sua composição genética a origem americana.
Mas e aí, por que a Goethe então?
Bom, a Goethe foi introduzida na região de Urussanga no início da colonização, e assim como outras variedades se adaptou razoavelmente bem as condições locais. Porém quando foi colhida e vinificada gerou o primeiro caso de amor a primeira taça da vitivinicultura brasileira. O conjunto aromático do vinho Goethe fez os colonizadores da região lembrarem seus vinhos do norte da Itália.
O que eles não sabiam é que a paixão pelo aroma da Goethe era hereditária e viria a atravessar gerações até os dias de hoje.
Concluindo, as dificuldades de produção são superadas pelo resultado (não dizem que os fins justificam os meios?). Os aromas florais, frutados e de mel associados à refrescância no paladar fazem valer a pena cada dificuldade no vinhedo e na vinícola.
Quanto aos pontos negativos para a área de marketing, quando os produtores de Urussanga uniram-se em torno da Goethe, eles resolveram honrar sua história e trabalhar para aprimorar a fonte maior de seu amor pelo vinho, que é a qualidade do Goethe.
Seria mais lucrativo camuflar o Goethe e pegar a carona dos moscatéis, ou abandoná-lo e investir em carmenere, malbec, viognier ou qualquer uma dessas variedades que estão na moda, talvez nem inovar, ficar no velho Cabernet Sauvignon que todo mundo quer comprar.
Acontece que produzir vinho Goethe é mais do que idolatrar o mercado, é algo além de seguir a tendência, é lucrar menos, mas estar moralmente acima dos que alimentam enófilos com nomes tarimbados nem sempre legítimos.
Enfim, o vinho Goethe é um símbolo regional que já devia ter sido tombado como patrimônio histórico; mas para o mundo do vinho é um nome diferente, é um vinho diferente, é uma nova experiência! Você está preparado para isso?
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