Júlio Seabra Inglez de Souza foi um engenheiro agrônomo de célebre importância na Vitivinicultura brasileira. Iniciou cruzamentos controlados com variedades de videira no IAC em 1938 e dedicou toda a sua vida ao desenvolvimento da vitivinicultura paulista e nacional. Escreveu os famosos livros: “Podas das plantas frutíferas”, “Uvas Para o Brasil”, entre tantos outros não tão notórios ao público, mas de fundamental importância técnica e histórica.
Seu filho, Sergio Inglez de Souza embora tenha escolhido outra engenharia, a mecânica, seguiu a paixão do pai pela vitivinicultura, sendo há alguns anos um dos enófilos mais respeitados do país. Sérgio conheceu boa parte do mundo vitivinícola e sempre relatou em artigos para revistas e jornais, livros e mais recentemente na internet suas experiências.
Julio Seabra (o pai) embora fosse muito crítico com os deslizes dos produtores nacionais não se deslumbrava com a grandeza e a experiência das grandes regiões produtoras, sempre acreditando na sagacidade do viticultur brazuca. Ponto positivo que o filho herdou.
Em um de seus vários textos sobre vinhos nacionais, Sérgio (o filho), citou o potencial de ocupar um nicho no mercado de bons vinhos que os vinhos Goethe da região de Urussanga tinham. Sérgio descreveu as boas características do Goethe, inclusive comparando-o ao famoso Frascati.
Uma das pessoas que leu esse parágrafo em meio a um grande artigo no ano de 2004 foi o engenheiro agrônomo Rogério Ern. Este, também entusiasta da vitivinicultura, na época já cultivava vinhedos biodinâmicos em Rio do Sul e era consultor do Sebrae em alguns projetos na área agrícola.
Rogério veio para Urussanga conhecer o vinho elogiado pelo grande enófilo na revista Vinho Magazine e trouxe a idéia de fazer um projeto de Indicação Geográfica (IG) para o vinho da uva Goethe.
Então produtores, professores, pesquisadores, extensionistas e autoridades se reuniram, formaram a Progoethe e aprovaram um grande e trabalhoso projeto para implantar a IG. Envolveram-se neste projeto Sebrae, UFSC, Epagri, Fapesc, Fapeu, prefeituras municipais e logicamente os produtores, atores principais desta trama.
Com a publicação do registro da IG que aconteceu essa semana, a idéia que trata este artigo está próxima de se tornar uma realidade, então nesse caso o santo de casa faz milagre, começou de fora pra dentro, mas está fazendo!